O iniciar do ano confirmou as piores expectativas para o país, entramos oficialmente em recessão e as previsões para o futuro próximo não são nada animadoras para gáudio dos partidos da extrema-esquerda, entenda-se o PCP e BE, e José Sócrates é o culpado de todos os males que Portugal padece, dizem eles. A direita retrógrada desespera por não conseguir argumentar o que seja contra o governo PS, deve custar muito reconhecer que quando foram governo lhes faltou a coragem para levar a cabo as reformas que José Sócrates tem vindo a concretizar. Esta é a política de oposição que temos, com os políticos mais medíocres que se tem memoria. Portugal merecia muito mais.
Já todos percebemos que aparentemente 90% dos portugueses votaram em José Sócrates, isto se acreditarmos no número de pessoas que juram a pés juntos que votaram anteriormente no PS e agora não irão fazê-lo. Que conveniente e oportuno, mesmo que as sondagens sejam favoráveis a Sócrates, esta é mais uma estratégia desesperada para destabilizar os portugueses e tentarem hipocritamente capitalizar dividendos políticos na actual situação que o país vive. A falta de sentido nacional é gritante quando se percebe que desde o PCP, BE, PSD e CDS, todos desrespeitam o resultado das últimas eleições. O PS ganhou com maioria absoluta por vontade de todos os portugueses e isso incomoda os partidos que somente se preocupam com os seus resultados em detrimento da aceitação dos resultados eleitorais que elegeram o PS como governo. Que belo exemplo democrático.
Quanto a mim é tudo uma questão cultural que tolda o discernimento dos ditos responsáveis políticos de Portugal e por consequência disso influencia parte do país, resquícios dos 50 anos de ditadura e pouca pratica democrática desde o 25 de Abril. Actualmente grande parte da classe política não faz sacrifícios em nome do país, pensam somente no seu conforto e afirmação pessoal. Deveríamos todos ter como exemplo o sacrifício levado a cabo pelos povos afectados pela 2º guerra mundial, que mesmo com o país em escombros e a sofrer com os horrores da guerra, souberam sacrificar-se e empreenderam uma reconstrução épica que resultou em afirmar os seus países em potências económicas e sociais no mundo. Portugal que teve a possibilidade de marcar uma época no desenvolvimento nacional em relação ao mundo através das suas ex-colónias, não só não o conseguiu como fizemos péssima figura, dando um mau exemplo no respeito pelos povos indígenas dessas colónias e logo a seguir fomos um desastre no processo da descolonização. Também não fizemos melhor na administração e fiscalização dos dinheiros comunitários que nos foram confiados ao longo destes anos. Tivemos muitas oportunidades para preparar Portugal para os desafios que hoje vivemos, fomos comodistas e pouco patrióticos quando se gastou indevidamente esses dinheiros em tudo menos na revitalização da economia nacional. Não será tudo isto fruto de uma mentalidade alicerçada em dogmas educacionais ao longo de muitas décadas de “nacional porreirismo”?
Portugal tem o dever de se regenerar e permitir que as futuras gerações cresçam num ambiente moralmente saudável e livre de estigmas persecutórios que assolam a nossa sociedade. Só com trabalho e respeito pelas instituições é que alcançaremos resultados que traduzirão confiança e optimismo para o futuro, mesmo que se saiba que será uma luta extremamente difícil de ser aceite, é imperativo que saibamos nos empenhar num desafio que poderá mudar Portugal para um futuro auspicioso e confiante.
Por isso que incondicionalmente apoio a moção politica de orientação nacional de José Sócrates ao XVI Congresso Nacional do PS. Porque acredito que a “Força da mudança” que o PS quer imprimir na sociedade portuguesa é essencial para resolver esta crise, e temos de aceitar que nada deve ficar como dantes. Portugal merece melhor e o PS quer assumir esse papel de ruptura em prol de uma sociedade melhor mais justa e democrática.
Hoje este blogue faz um ano de existência. Nasceu de uma necessidade pessoal em exprimir opinião sobre assuntos que me interessam. Francamente nunca pensei que sentiria tanta responsabilidade em manter “porta aberta” do vento quente da mudança. Aos meus amigos e visitantes só me resta agradecer a vossa companhia e amizade, mesmo que nem sempre comunguemos das mesmas opiniões. Conviver democraticamente é isto mesmo, e a blogosfera permitiu-nos conhecer melhor e partilhar ideias que acredito tenham posto as pessoas a pensarem, esse é o objectivo. Espero ter uma presença mais regular neste ano de 2009, a saúde vai bem e a vontade de contribuir para uma sociedade melhor continua presente. Obrigado a todos que por cá passaram.
Via Jumento, chequei a esta noticia interessante... imaginem estas ideias a fervilharem na cabeça de certas pessoas...
«If you think it's tough to be a blogger because your Google AdWords revenue has been in the toilet lately, the Committee to Protect Journalists wants to remind you that Internet journalist—including bloggers—can and do suffer much more around the world. According to the group's new report, Internet journalists now make up the largest single group of imprisoned journalists. » [Ars Technica]
Mais um texto retirado do Jumento. Para variar, subscrevo-o na integra.
Ao contrário do que sucede com os outros partidos o PCP pouco investe nas campanhas eleitorais, lá coloca aqueles plásticos horríveis nos candeeiros, pinta umas paredes com a sigla da sua falsa coligação, faz uns comícios, produz os tempos de antena e pouco mais.
A verdadeira campanha eleitoral do PCP é feita muito antes, usando os sindicatos do costume e mais alguns envolvidos por alguma reforma lançada pelo governo. Sem gastar um tostão, até porque os tempos estão difíceis para as contas da Soeiro Pereira Gomes, o PCP faz a campanha mais cara dos partidos portugueses, uma campanha que nesta legislatura já custou várias dezenas de milhões de euros.
Veja-se o exemplo do pessoal da limpeza da Câmara Municipal de Lisboa, que deverão ser dos trabalhadores de Lisboa que menos ganham, vão fazer uma greve de quatro dias, isso mesmo, quatro dias que com o feriado e o domingo dão uma semana. Para quê? Não é por causa das carreira, nem da avaliação, nem mesmo dos vencimentos, segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) os trabalhadores estão muito incomodados por causa da intenção do presidente da autarquia de entregar a limpeza de duas zonas da cidade a privados. O seu amor pelo lixo de Lisboa é tão grande que mais ninguém o pode limpar? E para protestar não bastaria um ou dois dias de greve?
É evidente que o que está em causa é o poder do sindicato e, em consequência, dos controleiros do PCP na CML. Promove-se uma greve que a maioria dos trabalhadores teme furar, escolhe-se uma semana que torne o inútyil em aparentemente agradável e aí está Lisboa cheia de lixo para começar a temporada eleitoral autárquica. Auto-marginalizado na autarquia o PCP que não está agradado com a evolução das alianças decide fazer a sua própria campanha, mas à custa do ordenado dos trabalhadores mais pobres de Lisboa.
É evidente quem nem os vereadores do PCP que irão mostrar a sua solidariedade, nem os dirigentes sindicais prescindirão dos seus vencimentos, os sindicatos nada dão, limitam-se a receber quotas que pagam a organização e as mordomias dos seus dirigentes, enquanto as lutas são financiadas pelos trabalhadores. Mas vá lá, são uns dirigentes sindicais muito compreensivos, escolheram o mês do subsídio de Natal para que os trabalhadores não tivessem de passar fome.
Se prestarmos atenção são sempre os mesmos sindicatos a fazerem as greves da campanha eleitoral do PCP, os dos transportes públicos (até pararam em solidariedade com os professores), de grupos profissionais da Administração Pública, de algumas empresas públicas como os CTT e pouco mais, nem um do sector privado! Para que o PCP cumpra a sua agenda eleitoral são chamados à vez para lutas laborais, nem que sejam falsas lutas como esta dos trabalhadores da limpeza, são os trabalhadores que suportam os elevados custos de uma campanha política caríssima pois aos senhores do PCP não custam nem um tostão, são os trabalhadores que suportam tudo.
O Barómetro Político Marktest de Novembro mostra uma nova subida das intenções de voto no PS, que surge mais distanciado do PSD, partido que voltou a descer pelo quarto mês consecutivo. Estudos de Opinião, Marktest.com, Hoje
De acordo com os dados apresentados pelo Barómetro Político da Marktest de Novembro, o PS manteve-se como o partido com maior percentagem de intenção de voto. Depois de em Outubro ter recuperado a quebra observada no mês anterior, o partido voltou a subir nas intenções de voto, atingindo os 40.1% em Novembro, a mais alta percentagem de intenções de voto do ano de 2008. Este resultado correspondeu a uma subida de 0.3 pontos percentuais face a Outubro mas a uma quebra de 3.7 pontos percentuais relativamente a Novembro de 2007.
O PSD manteve o segundo lugar, mas viu a sua percentagem de intenção de voto baixar de novo, para os 26.4%, um valor 2.3 pontos percentuais abaixo do verificado no mês antes e 5.1 pontos percentuais menos que em Novembro de 2007. Esta é a quarta quebra consecutiva do partido, que surge mais distante do PS: 13.7 pontos percentuais separam agora o PS do PSD.
O Bloco de Esquerda manteve a terceira posição, com 13.1% de intenções de voto. O BE foi a força política que mais cresceu este mês, tanto em termos mensais como homólogos: o valor correspondeu a um crescimento homólogo de 6.0 pontos percentuais e de 1.7 pontos percentuais face a Outubro.
A Coligação CDU (PCP/PEV) manteve em Novembro os 10.0% de intenções de voto obtidos no mês anterior, um valor 1 ponto percentual acima do observado um ano antes.
O CDS-PP mantém em Novembro a quinta posição, voltando a baixar para os 6.2% de intenções de voto, o que correspondeu a uma quebra de 0.2 pontos percentuais face a Outubro mas a um aumento de 1.7 pontos percentuais relativamente a Novembro de 2007.
Os resultados deste Barómetro estão disponíveis aqui.
(do blogue Ultraperiferias do Luís Filipe Malheiro (PSD-M))
Mas afinal, o que foi que disse o deputado José Manuel Coelho, do PND, na intervenção que acabou por despoletar este "vendaval" todo?
Confesso que me dei ao trabalho de transcrever:
(...)
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Muito obrigado, Sr. Deputado. Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado José Manuel Coelho.
JOSÉ MANUEL COELHO (PND): Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia, Excelentíssimas Senhoras e Senhores Deputados. Há 34 anos estava eu no Batalhão de Caçadores 5, em Lisboa, a tirar a especialidade de Transmissões de Infantaria e na noite de 24 para 25 de Abril, pela uma hora da madrugada, o corneteiro tocou na caserna os instrumentos de transmissões de infantaria. Estava a nascer o 25 de Abril. Estou a ver esse dia como se fosse hoje. Nós saímos ajudar as tropas operacionais do Batalhão de Caçadores 5 para a revolução do 25 de Abril que estava em marcha.
Burburinho.
Saímos para a rua, ocupámos o Parque Eduardo VII, prendemos a PSP, prendemos a GNR, prendemos os PIDES que a população indicava, que perseguiam a população portuguesa.
Burburinho geral.
Tive esse grande privilégio de assistir ao nascimento da democracia em Portugal. Agora, desta tribuna, eu queria perguntar aos Excelentíssimos Senhores Deputados Coito Pita e Tranquada Gomes onde é que eles estavam quando veio o 25 de Abril? Queria perguntar a Sua Excelência o Senhor Presidente da Assembleia, que toda a vez que eu vou lá falar com ele me diz "porte-se bem, porte-se bem, está continuamente a me dar lições de moral", eu queria perguntar ao Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia onde é que ele estava quando se deu o 25 de Abril? Eu vim para a minha terra confiado que ia ser instaurada a verdadeira democracia nesta terra. Assistimos ao nascimento da autonomia, ao Parlamento autonómico, e eu pensava que tínhamos um Parlamento democrático, pensava que o Partido Social Democrata que era um partido democrático...
Burburinho geral.
...mas comecei por verificar que realmente não era bem assim. O Partido Social Democrata tinha alguns que eram verdadeiros sociais-democratas, mas os chefes desse partido não eram sociais-democratas, os chefes desse partido eram reaccionários, eram fascistas, nomeadamente o seu chefe mor, o Dr. Alberto João Jardim.
Protestos do PSD.
Burburinho.
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Srs. Deputados, eu pedia um pouco mais de silêncio.
JOSÉ MANUEL COELHO (PND): Em 1977, participei nas campanhas da APU e depois verifiquei que havia pessoas dentro do PSD, mandatadas pelo chefe, o chefe fascista, que recebiam ordens para me assassinar. Eu tive três presidentes de câmara do PSD que receberam ordens de Alberto João Jardim para tirar a minha vida, para me matar! Eu uma vez ia às sessões da câmara, no tempo do Paulo Jesus, e as sessões da câmara foram transferidas para a parte da tarde e veio um familiar do Roberto Almada, do Deputado Roberto Almada, falar comigo dizendo assim:
"Coelho, você não vá às sessões da câmara na parte da tarde porque eles vão matá-lo, o João da Sorte vai vir e vai-lhe dar um tiro e você vai ser assassinado" e eu deixei de ir às sessões da câmara. Para comprovar aquilo que o familiar ali do meu camarada dizia, em 1980, estávamos numa campanha, pela APU, em Gaula, quando esse famigerado João da Sorte, acompanhado dos capangas do PSD, faz-me um raio para me assassinar. Eu consegui fugir. Eles deram seis tiros num camarada meu, da altura, esse camarada ainda está vivo, o camarada Manuel Teixeira, esse camarada levou seis tiros. Em recompensa por esse serviço prestado ao regime, esse senhor que deu os tiros, o João da Sorte, tem hoje uma rua com o seu nome, no Caniço. Isto não são brincadeiras, não são fait-divers, são verdades! Passou-se comigo. Eu já tive três presidentes de câmara que tentaram me tirar a vida, mandatos pelo chefe fascista, o Alberto João Jardim. Eu actualmente quando vendo o Garajau muitas pessoas dizem-me: "olhe, tome cuidado que o Jaime Ramos pode matá-lo, pode mandar alguém assassiná-lo".
Sem dúvida que nós não vivemos num regime democrático! Nós vivemos num regime ditatorial que está disfarçado numa social-democracia, porque o Partido Social Democrata daqui da Madeira não é o mesmo Partido Social Democrata do Continente, é um partido que não respeita a democracia, é um partido que se puder, mata os democratas.
Por isso, eu vim a esta Casa para ajudar o combate do Prof. João Carlos Gouveia, que é preciso derrubar o regime, deitar abaixo este regime facínora e reaccionário, porque o maior perigo que há para a democracia é o conformismo, é as pessoas se acomodarem, os democratas se acomodarem, porque as forças reaccionárias comandadas pelo líder fascista desta terra a pouco e pouco vão tirando as liberdades. Só no espaço dum ano e meio já reviram... vão rever... já reviram portanto o Regimento três vezes! Vão tirando as liberdades. A pouco e pouco os democratas vão cedendo, vão cedendo. Só que não se devem esquecer duma
coisa: é que as grandes ditaduras da História evoluíram a partir das democracias parlamentares e foi a cedência dos democratas, o conformismo. Os democratas foram cedendo num ponto, foram cedendo noutro até que democracias parlamentares evoluíram para sanguinárias ditaduras. Temos um exemplo disso em Portugal, no Estado Novo, que também evoluiu duma democracia parlamentar e tornou-se uma ditadura sanguinária. Eu lembro-me do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, quando ele dizia, falando sobre o conformismo que se apoderava dos
democratas: "a indiferença é o maior perigo, o maior inimigo da democracia" - dizia Bertolt Brecht, em 1933...
Burburinho.
...que... vieram ter junto dum democrata e disseram: "olha, estão prendendo os comunistas". Eu não me importei, porque eu não era comunista! Depois disseram-me: "oh! estão prendendo os sindicalistas"
e eu também não me importei porque não era sindicalista. Depois "estão prendendo os sacerdotes, os padres", eu também não me importei porque não era padre, mas depois, tempos depois "ah! mas já estão a prender-me, já estão a levar-me" e não havia já nada a fazer, meus amigos!
Portanto, nós temos aqui um Regimento que é atentatório das liberdades democráticas do 25 de Abril, da autonomia, dos ideais de Abril e já é tempo dos democratas desta terra dizerem "basta!", pôr um travão a esta situação. Não é suficiente ir a Tribunal Constitucional. Está nas nossas mãos hoje, aqui e agora, os democratas, os partidos da oposição desta Casa travar esta ofensiva reaccionária e antidemocrática deste regime jardinista. Basta apoiarem a iniciativa do meu partido, abandonarem este Parlamento, deixarem os parlamentares do PSD falar sozinhos, no seu regime antidemocrático, abandonarem! Não é preciso ir para o Tribunal Constitucional! Nós hoje, se quisermos, podemos fazer o 25 de Abril nesta terra! Podemos boicotar este Parlamento! Podemos sair, abandonar esta Assembleia e fazer trabalho político lá fora.
Burburinho.
Escusa de a gente estar aqui a legitimar esta gente, esta gente que atenta constantemente contra a democracia, contra os direitos de Abril, meus amigos. Os partidos da oposição têm uma palavra a dizer, porque se não tomarem uma atitude firme contra esta gente reaccionária vai acontecer aquilo que aconteceu ao Bertolt Brecht... aquilo que dizia o Bertolt Brecht: a democracia, quando verificarem, já não têm democracia. Nós actualmente já não temos liberdade de expressão...
Protestos do PSD.
Antigamente, um deputado nesta Casa...
Burburinho na bancada do PSD.
...não era julgado por delito de opinião, agora já é!
Protestos do PSD.
Temos um deputado nesta Casa, um grande camarada, um grande lutador que é o Paulo Martins que está a ser julgado nos tribunais por um juiz fascista e vai ser condenado por esse juiz fascista, meus amigos! Não tenham dúvidas!
Burburinho.
Hoje, é o Paulo Martins! Ontem foi o Leonel Nunes que foi condenado por outro juiz fascista. Amanhã será qualquer um de vós. Meus amigos, é preciso combater esta gente reaccionária, esta gente que é contra Abril, esta gente que é contra a autonomia, esta gente quer a ditadura, quer tirar duma vez as liberdades, as poucas liberdades que nós temos neste Parlamento, porque estes senhores do PPD/PSD eles não são sociais democratas, estão travestidos, estão camuflados de sociais democratas, mas eles ao fim ao cabo são da extrema-direita, são fascistas, são pessoas viradas para o 24 de Abril!
Burburinho na bancada do PSD.
Lembrem-se que esta Casa nunca teve a honestidade de celebrar o 25 de Abril. Sempre odiaram o 25 de Abril. Nunca nesta Casa foi celebrado o
25 de Abril, por ordem do chefe fascista supremo que manda nesta terra, que nunca se converteu à democracia. Eu acho que é altura dos democratas dos partidos da oposição perderem a sua passividade e tomarem uma atitude firme. E essa atitude firme, na nossa opinião, não será ir ao Tribunal Constitucional, é fazer o 25 de Abril aqui mesmo, abandonar esta Assembleia, fazer o trabalho político lá fora, deixar eles a falar sozinhos para mostrar ao País inteiro o sistema antidemocrático que se vive aqui nesta Madeira, porque é preciso ver o verdadeiro regime. O verdadeiro regime que governa esta terra não é o regime democrático, é o regime nazi fascista do populista Alberto João Jardim.
Protestos do PSD.
Burburinho geral.
Portanto o regime deles, meus amigos, é este! (Neste momento, o deputado desfralda uma bandeira nazi.) O regime desses amigos, destes amigos do Partido Social Democrata é este... (desfralda a bandeira nazi)
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Sr. Deputado...
Protestos do PSD.
José Manuel Coelho (PND): É este regime, é o regime do nazi fascismo do Hitler...
Protestos do PSD.
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Sr. Deputado, faz favor...
José Manuel Coelho (PND): São eles, são atiradores deste regime...
Protestos do PSD.
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Faz favor de retirar a bandeira...
José Manuel Coelho (PND):...eu trouxe esta bandeira para oferecer ao líder do PSD, o Jaime Ramos...
PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Estão suspensos os trabalhos.
José Manuel Coelho (PND): ...esta bandeira é para oferecer a ele! Esta bandeira é para oferecer a este covarde, este traidor da Madeira, este fascista...
PRESIDENTE (Miguel Mendonça) Eu pedia uma reunião de líderes desde já (...)"
Somália: Piratas pedem rapidez para libertar petroleiro
O porta-voz dos piratas somalis a bordo do petroleiro saudita Sirius Star, Mohamed Said, apelou hoje aos proprietários do navio para acelerarem as negociações em relação ao pedido de resgate de 25 milhões de dólares.
A frase:«Apelamos aos proprietários do navio saudita para estabelecerem um diálogo honesto com o objectivo de pôr termo a esta crise», declarou o porta-voz dos piratas»
Depois deste artigo de opinião que retirei do Diário Económico, dificilmente irei dizer o que seja sobre o Manuel Alegre, tal é a lucidez e exactidão de postura com que António Correia de Campos opinou sobre ele. Não por causa deste artigo, mas pela forma elegante, respeitosa e corajosa como este senhor tem estado na política, continuará sempre a merecer a minha enorme admiração pela sua pessoa e conduta. Infelizmente José Sócrates não o segurou, tal como tem feito com a actual Ministra da Educação.
Manuel Alegre concedeu longa entrevista, crítica para o PS e Sócrates. As principais acusações são: a falta de debate interno no PS, que considera, neste momento uma máquina de poder, dirigido pelo governo; a falta de ousadia e risco da nova geração.
Critica a passagem de militantes de cargos políticos para os negócios, reserva-se o poder cessar o apoio a Sócrates, pelas más companhias de outros apoiantes de quem discorda. Declara-se contra o Bloco Central, “coisa fatal para a democracia”, contra a política agrícola comum, (e também a das pescas) que considera mal pensada, mal resolvida, mal negociada; critica a aplicação pelo Governo de receitas do pensamento único, veiculadas pela OCDE e por Bruxelas, “levando à situação em que estamos agora, de grave colapso financeiro”. Critica o processo de avaliação de professores, “um método, por aquilo que ouço e todos dizem, de excesso de papéis”. Admite que a “virtude” da determinação de José Sócrates tenha como seu contrário, a teimosia, a qual “pode levar à cegueira e à surdez, sendo então fatal”. Critica também o Presidente da República por ter radicalizado a tensão quanto ao Estatuto dos Açores, enquanto, em relação ao incidente parlamentar na Madeira, não tomou posição pública.
Nos aspectos positivos, Alegre inclui a vitória de Obama, o haver muita gente que pensa e escreve nas revistas online sobre temas como sindicalismo, educação, saúde. Está a favor da redução do défice, apesar dos custos (embora não seja claro se apoia as políticas que a permitiram). Apoia a lei do divórcio, a PMA, a IVG. Apoia o patamar do défice para lá dos 3%, é a favor do aumento do investimento público, afirmando que “os países nórdicos com maiores níveis de vida são aqueles com maior défice público”. Embora não concorde com a acusação da asfixia política pela actual maioria absoluta, acha-a propícia ao aparecimento de certos tiques. Considera que os políticos são mal pagos em Portugal e recomenda coragem para lhes aumentar os ordenados sob o risco de não haver renovação da qualidade. Desejaria que acabasse a tensão entre Sócrates e Louçã e mais pontes de diálogo, defendendo à esquerda uma “aliança para governar”, embora tal seja difícil: “o PCP, basta ler as suas teses, tal como está, não me parece que queira aliança nenhuma”.
A entrevista ocupa muito espaço com perguntas sobre o passado, o presente e o futuro do candidato, o que é natural, dada a sua notoriedade política. Questões que levam, por mais que uma vez, o deputado a recordar o seu êxito eleitoral de um milhão, centro e trinta mil votos nas presidenciais de 2006, deixando implícito que não se considera retirado da política.
A pessoa de Alegre é incontornável, o que lhe acarreta imensas responsabilidades. Pede-se-lhe análise objectiva, não apenas comentário de conjuntura; solidez de argumentos, não apenas posicionamentos; alternativas, não apenas críticas; perspectiva estratégica, não apenas referência a esperanças de mudança; política de alianças para a governabilidade, não apenas simpatias de circunstância; postura construtiva, não apenas capital de queixa. Surpreende a ausência de qualquer posição estruturada sobre as políticas públicas de natureza social, levando a recear que prefira o imobilismo. Defende o controlo das contas públicas, mas não parece aceitar que ele só foi possível com ganhos de eficiência e esforço de sustentabilidade na saúde, na educação, na fiscalidade, na segurança social, na administração pública. Ao primeiro rugir das corporações ou dos interesses, Alegre coloca-se contra as reformas, sem entender a ligação inversa entre ambas. Ignora as escolhas que é necessário fazer todos os dias, entre manter tudo como estava, ineficaz, ineficiente, dispendioso, sem qualidade nem futuro, ou escolher o árduo caminho dos cortes na gordura, da reorientação do gasto, da prevalência do interesse público sobre o interesse de pessoas, grupos, profissões ou corporações. Alegre necessitaria do triplo do orçamento para governar. Assim todos seriam felizes, embora o país se projectasse na falência.
Mas o que mais surpreende num político com a sua história e experiência é a ingenuidade com que se dispõe a pactuar com parceiros que nunca pretenderão governar, formatados para criticar, corroer, maldizer e impedir um governo à esquerda.
De resto, reduz tudo a uma só aliança, com o BE. Entenderá Alegre, que pode aspirar a nova candidatura à Presidência, só com o BE, os independentes dos blogues, o PC a engolir mais um sapo, o PS por arrasto, a completar a aritmética de maioria? Com parceiros que se servirão dele como megafone do protesto, descartando-o, depois, por falta de pilhas?
António Correia de Campos, Professor universitário
«Eu acho (mas é apenas uma suposição pessoal...), que o que fez Manuela Ferreira Leite entrar em ritmo de asneira livre foi a imagem das criancinhas dos liceus a atirar tomates e ovos à ministra e aos secretários de Estado da Educação, entre risos, gritos, histeria e imbecilidades debitadas para os generosos microfones das televisões. E eu percebo-a: no meu tempo de estudante, nós corríamos à frente da polícia de choque, incendiávamos os carros dos “gorilas” da Faculdade, boicotávamos as aulas dos professores do regime, mas tínhamos uma causa concreta, a mais simples de todas: a liberdade. E a liberdade das coisas mais óbvias: poder dizer o que pensávamos, ver os filmes que queríamos, ler os livros e revistas que entendêssemos, sair para o estrangeiro livremente, não ter que desperdiçar dois anos de vida, ou até a própria vida, a defender a pátria em expedições coloniais punitivas com trinta anos de atraso histórico. Muito embora já então não ignorássemos por completo a máxima de que a única vantagem da condição de jovem-estudante é que se trata de um estado de estupidez inevitável que em breve passará, a verdade é que tínhamos razões para ter causas e tínhamos razão e tínhamos causas. Hoje, estas entusiastas criancinhas, que nada têm para arriscar, batem-se por quê: por mais um computador em casa, um telemóvel de última geração, uma nova discoteca para enfiarem «shots» até caírem de borco? É certo que tinham razão relativamente ao regime de faltas, cuja interpretação em algumas escolas conduzia ao absurdo de não distinguir faltas por doença de faltas justificadas - um absurdo, entretanto, corrigido e clarificado pelo Ministério. De resto, que sabem eles do assunto para declararem que querem a demissão da ministra porque ela é “muito autoritária”? Apetece mandá-los todos para trabalhos forçados, a colherem tomate dobrados até ao chão ou a apanharem ovos e limparem capoeiras - para saberem o que vale um ovo e o que vale um tomate.
Eu compreendo Manuela Ferreira Leite: ela já não sabe o que há-de pensar, o que há-de propor para governar este país. Em Março, avisa que abandonar a avaliação dos professores seria uma traição cometida por Sócrates contra o seu eleitorado; em Novembro propõe solenemente que se abandone a avaliação. Na semana passada, declara que não se podem fazer reformas contra as corporações respectivas; esta semana desabafa que, para conseguir fazer reformas, seria preciso suspender a democracia seis meses e fazer tudo por decreto, antes de retomar a normalidade democrática. Francamente, não me passa pela cabeça que ela pense mesmo aquilo que disse: o problema é que ela dá mostras de não saber o que pensar. Perdeu o norte, já não reconhece o chão que pisa. Chegou à mesma conclusão que eu cheguei há uns anos e os romanos já há dois mil anos: que nós não somos governáveis. Não nos governamos, nem nos deixamos governar.
O problema de Manuela Ferreira Leite é que ela não tem um pensamento político sólido nem estruturado para o país e, na situação de emergência em que vivemos, não tem tempo para o formar. Achou que lhe bastava uma dose normal de senso comum e a capacidade de ir gerindo os problemas à medida que eles fossem aparecendo. Primeiro, ficou calada, a ver se percebia o que se passava: depois, como toda a gente lhe gritava que falasse, ela resolveu começar a falar sem ter tido tempo para perceber. Começou a falar como quem pensa em voz alta e desataram a sair as asneiras, como aquela de não poderem ser os jornalistas a escolher a informação dada ao público (quem deveria ser, então: o Zeca Mendonça, do PSD, o ministro Santos Silva, do PS, ou o Cunha Vaz, o especialista em ensinar aos políticos o que eles devem dizer?).
Por exemplo: a guerra dos professores, de que o país está farto, deveria merecer-lhe uma linha de rumo definida, e não oscilante, conforme a rua ou as sondagens o determinam. Anteontem, o Governo voltou a recuar na avaliação, dando finalmente sinais de maleabilidade. Mas é duvidoso que os professores aceitem, mesmo que a alternativa seja a de ficarem aos olhos da opinião pública como o único sector do funcionalismo do Estado que não aceita ser avaliado profissionalmente - nem sequer para permitir que os melhores sejam premiados. Tal como as coisas se apresentam, é quase certo que a Fenprof e Mário Nogueira não aceitarão nada que não seja a continuação da “luta” até à derrota final da ministra e do Governo. Como bom comunista, Mário Nogueira não terá esquecido ainda os ensinamentos de Lenine de que “a revolução é impossível sem uma crise nacional”, e esta passa por “uma crise governamental que atraia para a luta política até as massas mais retardatárias” (‘A doença infantil do comunismo’, 1920). A agenda da Fenprof passa por uma crise governamental, mesmo que não se alcance o que tem o país a ganhar com isso, excepto o caos. Há várias alternativas possíveis neste quadro, mas seguramente que a suspensão da democracia por seis meses não é uma delas. Haveria que ter pensado a sério no assunto antes.
Os problemas urgentes e graves são outros. São as fábricas de automóveis a encerrarem durante semanas e a despedirem por quebra de vendas. É o desemprego que vai disparar e o défice público, tão penosamente diminuído nos últimos anos, que vai ter de crescer para fazer face ao problema. São as exportações em queda a pique, porque os mercados compradores estão todos em recessão. São as empresas descapitalizadas e sem capacidade de endividamento para poderem voltar a investir. É, segundo muitos, uma crise económica sem precedentes depois de 1929, que nenhum dos que estão vivos teve de enfrentar até hoje. Conseguir que Portugal sobreviva neste oceano de tempestades que nos espera ao virar do cabo vai ser tarefa imensa e de resultado mais do que incerto. Não sei se os portugueses perceberão desta vez que é inútil esperar que a salvação venha toda do Governo. Sei que há ainda quem acredite que o Governo (este ou qualquer outro), se quisesse, fazia uma lei e acabava com a crise: podia-se subir salários, pensões, subsídios, financiar as empresas e garantir a banca, fazer obra pública e multiplicar as ajudas à agricultura. Esses nunca perceberão que não há políticas que possam salvar uma economia que, em grande parte e historicamente, se habituou a ser parasitária. Vive do Estado, das ajudas do Estado, dos negócios do Estado, da assistência do Estado. Faz parte da filosofia do “viver habitualmente”, de que falava Salazar: nunca seremos um país desenvolvido nem de gente independente, mas viveremos sempre remediados e aconchegados na protecção do Estado. Seja isso o que for e venha de onde vier o dinheiro: antes das colónias, depois da Europa, hoje cada vez mais dos pagadores de impostos sérios, que são uma minoria. 2009 vai ser um ano terrível, mas de uma coisa estou certo: apesar de irem falir muitos que o não mereciam e que vão ser apanhados na voragem, os que sobreviverem - se o jogo for limpo - é porque não ficaram encostados à espera que os viessem salvar.
Vem aí sangue, suor e lágrimas e é preciso saber mobilizar as pessoas para isso. É nisso que Manuela Ferreira Leite se deveria concentrar: em distinguir o essencial do acessório. Quem chefia a oposição lidera uma fatia importante dos portugueses. E quem lidera tem de saber muito bem e tornar claro qual é o caminho que propõe. Não pode dar uma imagem de cata-vento, ultrapassado pela dimensão do desafio.»
Há alguns meses atrás, decorria animada a campanha eleitoral para as habituais eleições internas semestrais do PSD, e no meio das discussões animadas e apaixonadas que costumava ter no meu local de trabalho da altura ouvi uma brilhante pérola de análise política que nem tão cedo esquecerei : " Agora se a Ferreira Leite ganha é que eles entram em pânico".
Como devem calcular os leitores mais desatentos o "eles" era eu e todos os Socialistas deste país.
Na altura, confesso que o comentário me incomodou um bocado porque, não só não me sentia nada em pânico, como até estava satisfeito com a ideia da ministra das finanças do governo do "cherne" poder liderar o maior partido da oposição num contexto em que teria que explicar aos portugueses por que razão seria melhor para governar depois do brilhante desempenho económico do seu consulado. Como tenho a mania de, apesar de defender convictamente as minhas opiniões, não me achar detentor da verdade absoluta pensei um pouco no assunto, não fosse a minha análise estar completamente errada. Cheguei à conclusão que não, que eu estava certo e que a pior coisa que podia acontecer era o futuro dar-me uma liçao de humildade.
Bem dito, melhor feito, eu estava errado. Não estava errado ao querer ver a Dona Manuela à frente do PSD, estava errado ao pensar que os "eles agora entram em pânico" se referia a mim e aos meus camaradas. É um defeito que tenho reagir como quem está cercado quando sinto alguém, ou como costume muitos alguens a pôr-me em causa mas desta vez confesso que exagerei. Os "eles" não eram os Socialistas. Eram os trabalhadores que ganham o salário mínimo nacional que estavam em pânico porque a Dona Manuela quer rasgar o acordo de concertação social que este governo assinou com os sindicatos e que permitiu o maior aumento de sempre do salário mínimo em apenas 4 anos. Quem estava em pânico eram as empresas de obras públicas pois essas iriam parar se a Dona Manuela chegasse ao governo. Quem estava a entrar em parafuso eram os ministros das finanças da Guiné Bissau e da Ucrânia pois como a Dona Manuela tão bem explicou, a paragem das obras públicas em Portugal levaria ao aumento do desemprego nos seus países. Aqueles que ficaram aterrorizados, foram as empresas de fornecedores do estado e das autarquias que levam anos para receber e que este governo decidiu pagar pagar as dívidas ( medida que peca por 20 anos de atraso mas que foi tomada agora ) o que a Dona Manuela classificou de irresponsabilidade. Para terminar, em verdadeiro estado de pânico estavam os jornalistas que parece que não podem ser os únicos a decidir o que publicam e todos os sindicatos de todas as profissões deste país que perceberam ontem que para serem feitas reformas temos que suspender a democracia por seis meses.
Ontem compreendi finalmente o meu erro e lamento as discussões que causei por achar que falavam de mim quando diziam que, como Socialista, a eleição de Ferreira Leite representaria uma ameaça. Não era de mim que estavam a falar e lamento muito o meu erro de análise. A todas as pessoas que agora se sentem verdadeiramente em pânico, pouco vos posso dizer a não ser que farei a minha parte para que a Dona Manuela não passe de apenas mais um erro de casting num filme de terror de classe C. Como eleitor, militante e dirigente de um partido político, neste caso o PS, esforçar-me-ei ao máximo para que ela não chegue ao ponto onde tenha a capacidade de suspender a democracia. Tenham fé e esperança. Confiem em mim. Ela não governará.
Comentário recebido por e-mail de um grande amigo, o SN.
Excelente opinião sobre o tema EDUCAÇÃO, retirado do Jumento...
O actual modelo de ensino em Portugal está esgotado, incapaz de produzir os resultados que a mudança do mundo exige. Foi bem sucedido na resposta à massificação do ensino mas incapaz de produzir a qualidade exigida por um mundo mais competitivo. Não vale a pena dizer que a culpa é dos professores, das políticas, dos ministros, dos pais, a culpa é de um modelo aberrante que apenas serve os que vêm no ensino o último reduto, a última das reformas agrárias.
Em vez de discutirmos a qualidade do ensino falamos da avaliação dos professores, em vez de nos preocuparmos com os alunos esgotamos as energia a discutir o estatuto dos professores. Isso não sucede por acaso, o ensino tem sido gerido em função dos professores. As associações de pais servem para gerir os ATL, os alunos não são representados por ninguém e os professores são o único grupo de pressão.
Quando se questiona a solução para melhorar a qualidade do ensino os sindicatos dizem que passa por melhorar a situação dos professores, quando se questiona o modelo de gestão das escola os sindicatos defendem a gestão democrática das escolas pelos professores, quando falamos da abertura do ano escolar os sindicatos defendem turmas mais pequenas para empregar mais professores. Tudo passa pelos professores, porquê?
Imagine-se que um jovem professor de Silves que deseja ficar na sua terra é colocado numa escola de Silves, imagine-se que fez um excelente trabalho e gostaria, tal como o conselho directivo, de continuar a trabalhar com o mesmo grupo de alunos. Só que isso não é possível, a vaga que ocupou e muito provavelmente será ocupada por outro professor, que até pode ser do Sabugal mas como tem mais uns pontos ficou à frente no concurso. O nosso professor de Silves fica no desemprego e no seu lugar fica um outro desmotivado pela distância. Ainda antes das aulas começarem a TVI vai acompanhar o novo professor na sua primeira viagem, ficamos a saber que a esposa está colocada numa escola do Minho, que têm dois filhos ao cuidado dos avós e que o dinheiro mal dá para a gasolina.
A jornalista da TVI não questionou os alunos que perderam o professor de que gostavam, nem o que vai suceder durante as semanas de atestado, nem entrevistam o conselho directivo para que este lhes conte histórias de professores deslocados. A notícia é o professor que fica a quatrocentos quilómetros de casa e a muitos mais da esposa, os filhos que não são acompanhados. A notícia não é os alunos, é o professor.
O ideal seria que o referido professor ficasse no Sabugal mas no seu lugar ficou um outro que não quer ficar lá, mas para chegar mais perto de casa concorreu à escola. O nosso professor foi parar a Silves contra vontade, o de Silves ficou no desemprego e no Sabugal está um outro que da terra só quer saber a estrada para a saída.
O sistema de colocação dos professores feito em grande escala e com a preocupação de assegurar igualdade entre todos despreza a escola e os alunos em favor de uma suposta igualdade entre todos os membros de uma classe. Aliás, a igualdade é a regra dos professores, é por isso que um professor de matemática do 5.º ano de escolaridade tem o mesmo horário e o mesmo vencimento do que o que lecciona o 12.º ano, como se a complexidade e o tempo exigido preparar aulas e avaliações fosse o mesmo. Aliás, o professor de português do mesmo 12.º ano ganha o mesmo que um outro de trabalhos manuais que fez um exame da treta e lhe conferiu um estatuto idêntico aos licenciados, uma conquista sindical.
É evidente que nesta lógica global, em que a igualdade é mais importante que a qualidade a avaliação tem um peso que não deveria ter, se for mínima gera desigualdades, se for rigorosa torna-se aberrante. Não pode ser feita a pensar numa escola porque o professor de Vila Real de Santo António terá de concorrer com o de Valença.
É uma idiotice avaliar o professor de uma escola junto a um bairro problemático com os mesmos critérios com que se avalia os de uma escola de um bairro da classe média, ou pensar que se podem aplicar os mesmos critérios ao Liceu Pedro Nunes e à escola secundária de Mértola. Se os professores fossem contratados por escolas ou grupo de escolas a importância perderia a importância que lhe está a ser dada, serviria apenas para aferir as condições do professor para progredir na carreira e não para o comparar com milhares de outros professores. A gestão dos recursos humanos não se centrava na avaliação dos professores mas sim na sua preparação pedagógica.
A falta de coragem do Governo de alterar o modelo levou-o a levar a sua coerência a níveis que o tornam caricato. Ainda por cima está convencido de que é avaliando os professores que melhora a qualidade de ensino e, como se isto não bastasse, impôs um regime de quotas à progressão na carreira, sinal de que ele próprio não confia no processo de avaliação, como, aliás, sucede com toda a Administração Pública.
Mas será que os professores aceitam um modelo feito e gerido durante mais de duas décadas a pensar no seu bem-estar, será que aceitam uma mudança profunda nos modelos de gestão das escolas e dos seus recursos humanos?
De uma coisa estou certo, o Partido Comunista Português e a Fenprof dispor-se-iam de imediato a aceitar o modelo que agora recusam e que poderá levar o PCP a eleger mais um ou dois daqueles deputados que ninguém vai ouvir falar e que antes de irem parlamento assinam uma carta em branco, do que aceitar tal mudança. O actual modelo mais do que o ensino favorece os sindicatos e os professores são necessários às finanças da CGTP, muitos professores sindicalizados significa mais dinheiro em quotas e mais militantes do PCP pagos pelo Estado para serem colocados nos sindicatos.
Com o actual modelo a Fenprof arranja sempre bons motivos para sincronizar a agenda sindical com o calendário eleitoral, se não é o estatuto dos professores é a avaliação, se não é a avaliação é a precariedade, se não é a precariedade é a escola democrática, se não é a escola democrática são as aulas de substituição, motivos não faltam. E com o actual modelo de gestão o PCP tem uma participação na gestão das escolas muito superior ao seu peso eleitoral, os seus militantes estão sempre disponíveis para fazerem o sacrifício de irem para os conselhos directivos. Dessa forma poderão opor-se mais eficazmente às políticas governamentais.
Mais importante do que a avaliação dos professores é a avaliação das escolas, em vez de gastar as energias a avaliar os professores o país deveria estar a investir nas escolas, em vez de exigir uma bom desempenho de cada professor, tarefa que deveria caber a cada escola, o ministério deveria estar a exigir e criar condições para um bom desempenho das escolas. E um bom desempenho das escolas depende de muitos factores, o bom desempenho dos professores é apenas um deles.
Em vez de discutirmos a qualidade do ensino estamos a discutir ficções, uma avaliação impossível de todos s professores segundo os mesmos critérios, a gestão democráticas das escolas que nunca o foi e não passa de um modelo corporativista de auto-gestão. Como não podia deixar de ser um modelo monstruoso de ensino tinha de exigir um modelo monstruoso de avaliação. Mas será que os professores e os sindicatos querem mesmo uma mudança profunda das escolas? Acredito que os professores, ainda que com muitas resistências, aceitariam o desafios, quanto aos sindicatos nem pensar, o actual modelo foi feito à medida do seu poder.
O modelo implementado é tão absurdo e aberrante quanto o actual modelo de gestão dos recursos humanos das escolas, não faz sentido defender o actual estado de coisas e opor-se apenas ao modelo de avaliação.